Como o DINO tem sido prejudicial à reputação das empresas nos dias de hoje

30 de janeiro de 2018
admin

Em outubro de 2014, nascia o Divulgador de Notícias, mais conhecido como DINO. O seu objetivo, segundo a descrição no site é “complementar o trabalho de assessorias de imprensa e alcance de empresas interessadas em conseguir espaço na mídia”.

Criado por Rodrigo Azevedo, CEO do Grupo Comunique-se, a ferramenta oferece planos que variam de R$139,90 (básico) a R$545,90 (profissional), e garante publicações em portais como O Globo, Agência Estado, Infomoney e mais de 30 blogs. Ou seja, apresenta-se como uma ferramenta que promete ajudar o assessor de comunicação, por meio da indexação dos conteúdos em ferramentas de busca, como o Google, deixando a marca na primeira página, e assim contribuindo com as estratégias de SEO da empresa. A ideia seria ampliar a autoridade da marca nos veículos de comunicação online.

Ok, melhor parar por aqui e ser mais direto. Se você quiser saber mais sobre os “milagres” que o DINO faz, pode acessar diretamente o site institucional ou então confira este “PITCH” super inovador e verdadeiro do CEO da plataforma:

Agora vou mostrar como utilizar o DINO fará você jogar dinheiro fora e acabar com a reputação da sua marca:
1. Conteúdos publicados em veículos de expressão
O DINO realmente publica os conteúdos em portais como Exame.com,  O GloboAgência EstadoInfomoney, etc. O que eles esquecem de avisar é que a publicação de uma matéria que parece espontânea é, na verdade, uma publicidade. Sim, meu caro leitor. Você está comprando um espaço publicitário. Saiba que não existiu nenhuma avaliação editorial para que seu conteúdo entrasse lá. Para acontecer uma publicação na mídia espontânea, é necessário que o conteúdo seja relevante, e que jornalistas sejam pautados sobre determinados assuntos e produzam aquele conteúdo.

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Portal Exame – Destaque que se trata de conteúdo publicitário e não é reconhecido pelo veículo.

Como você vai obter autoridade, sendo que ninguém sabe quem você é e não falando de você?
É a mesma coisa que colocar um banner dentro do veículo.

2. Mais de 20 mil jornalistas cadastrados
Sim, o mailing da ferramenta é extenso, por conta do Comunique-se. Entretanto, os jornalistas não recebem estes conteúdos como sugestões de pautas. Todo material “avaliado” pela equipe do DINO é automaticamente publicada nos veículos parceiros.
Se você acha que algum jornalista vai olhar o seu conteúdo, melhor esperar o Papai Noel bater à sua porta.
(Nota: Alguns veículos ganham para que cedam o espaço publicitário mensalmente).
3. Conteúdos avaliados pelo DINO
Quem geralmente produz o conteúdo é o contratante, e quando é enviado para eles, apenas verificam erros de digitação, mas nada que deixe a pauta mais “chamativa” e noticiosa, de acordo com fonte interna da plataforma. Na verdade, quanto mais adjetivos melhor para a publicidade, e pior para a imprensa.

A mídia, respeitada, jamais irá publicar em suas matérias adjetivos que enaltecem a empresa, como: “a melhor de todas”, “o Deus das marcas”, “a única no país”, etc.

4. Estratégia para SEO

Em um dos depoimentos,uma das empresas, especializada em SEO enaltece a ferramenta como “muito importante para estratégias em busca orgânica no Google”.

Ao fazer uma simples busca no Google, apenas com o nome da empresa, foi possível identificar, na quarta ou quinta página do Google, apenas uma matéria deste ano, publicada em um portal de E-commerce. Foi de mídia espontânea e sem o uso do DINO. Já quando coloca-se “EMPRESA + DINO”, aí sim é possível ver as publicações. Mas será que isto é estratégia de SEO, ao criar backlinks ou guestlinks?

Como uma agência especializada em SEO – busca orgânica –, que bate na tecla sobre a necessidade de ter conteúdos relevantes, pode utiliza o DINO para obter relevância? A conta, literalmente, não fecha. E isso afunda até a credibilidade da empresa.

Os backlinks obtidos nas publicações dos veículos parceiros, são “varridos para debaixo do tapete”, pois não obtêm visibilidade nos portais e não surtem efeito nenhum. Pelo contrário, incomodam. Para conseguir backlinks “saudáveis”, é necessário saber qual veículo tem esta abertura, em que situação pode entrar no contexto e qual tipo de lead ele vai gerar por conta daquela matéria.

Conclusão

Assim como não existe Papai Noel, Coelho da Páscoa e Fada do Dente, também não pode existir a ferramenta que “publica” automaticamente nos veículos de comunicação online matérias tendenciosas sobre determinada marca ou pessoa. A utopia “vendida” pelo DINO não é real, pois, ao contrário do que se acredita, não é nada fácil cultiva relacionamento com a imprensa para obter publicações espontâneas em veículos relevantes da mídia. Ou seja, como isso poderia ser substituído por um simples “clique”?

Impossível obter autoridade na mídia quando você mesmo está falando de você. E o conteúdo do DINO é exatamente isso: publicidade disfarçada de conteúdo. Essa prática não é uma novidade. Antes, era conhecida como Informe Publicitário, e hoje, Branded Content. Uma página via Branded Content em uma revista de negócios relevante, como por exemplo a Exame, pode chegar a custar mais de R$ 100 mil. Mas, nesse caso, a estratégia é outra. Empresas, ao invés de gastarem em propaganda, pagam por conteúdo institucional, que pode até gerar visibilidade, mas é bem diferente de matérias de mídia espontânea.

Já as empresas/marcas/pessoas que usam o DINO, dificilmente conseguirão aumentar sua autoridade com matérias institucionais, principalmente quando estão no começo de sua jornada empreendedora. E se você tem uma assessoria de imprensa que usa o DINO, abra os olhos. O valor que está sendo pago pelo serviço -que deveria ser focado em mídia espontânea- pode estar sendo mal investido.

Existem outras empresas que fazem este serviço, muito bem, lá fora, mas também encontram os mesmos problemas no Brasil, como é o caso da PR Newswire.
Quem quer aparecer na mídia por meio de conteúdo publicitário e editorial, sugiro que contrate estas plataformas. Se for para buscar, luz ao sol, por meio de mídia espontânea, converse com uma assessoria de imprensa/comunicação. Os valores para investimento podem ser um pouco mais altos em relação a estas plataformas, mas não adianta nada contratar algo que nada irá agregar. É preciso ter estratégia, planejamento e visão ao identificar a médio e longo prazo com a autoridade junto a mídia poderá ajudar a alavancar a empresa em outros patamares.
Para finalizar este artigo, deixo claro que não tenho nenhum problema com a empresa Comunique-se. Inclusive, já fui cliente deles. Apenas não concordo com a falta de transparência da plataforma vertical DINO, junto a quem contrata os serviços.

Abraços e deixem seus comentários!

 

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